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Polónia prepara a transferência de até nove caças MiG-29 para as Forças Armadas da Ucrânia

Dois pilotos militares a cumprimentarem-se à frente de um caça com capacete e documentos numa mesa.

A Polónia está a entrar na etapa final dos preparativos para entregar às Forças Armadas da Ucrânia até nove caças MiG-29 de origem soviética, no quadro da cooperação militar entre os dois países. A decisão política já foi tomada e decorrem, neste momento, consultas de carácter técnico centradas na logística, na manutenção e nas condições de partilha tecnológica associadas ao processo.

Decisão política tomada e negociações técnicas com Kyiv sobre os MiG-29

Numa entrevista ao programa Em Registo, o vice-ministro da Defesa da Polónia, Paweł Zalewski, confirmou que o procedimento está em curso e sublinhou que a decisão do Governo já está formalmente tomada. Segundo explicou, o diálogo com Kyiv continua, mas num plano estritamente operacional: aguardam agora uma resposta do Ministério da Defesa ucraniano, sendo as conversações actuais de natureza totalmente técnica.

Zalewski adiantou ainda que a primeira remessa deverá incluir “menos de dez” aeronaves, em linha com estimativas anteriormente avançadas por responsáveis polacos.

Seis a oito aeronaves no fim de vida operacional e possibilidade de permuta tecnológica

Em Dezembro, o vice-ministro da Defesa Cezary Tomczyk já tinha indicado que “seis a oito” caças MiG-29 estavam perto do fim do seu ciclo de utilização na Força Aérea polaca e poderiam ser transferidos para a Ucrânia ao abrigo de um entendimento de troca tecnológica.

Questionado sobre a aceitação ucraniana da proposta, Zalewski sustentou que Kyiv já terá dado o seu acordo de princípio, embora - como é habitual neste tipo de processos - existam detalhes técnicos que ainda precisam de ser clarificados.

Calendário provável: consultas até ao fim de Janeiro e entrega em Fevereiro

Em paralelo, e tal como foi noticiado há poucos dias, o antigo ministro da Defesa Nacional da Polónia, Janusz Onyszkiewicz, afirmou à Ukrinform que as consultas técnicas poderão prolongar-se até ao final de Janeiro, enquanto a entrega das aeronaves poderá concretizar-se em Fevereiro. De acordo com Onyszkiewicz, a decisão de transferir os caças já está fechada, faltando apenas resolver questões técnicas.

O ex-ministro acrescentou que, neste momento, decorrem negociações relacionadas com a transferência, da Ucrânia para a Polónia, de determinada informação ligada à produção de drones e mísseis, no contexto do referido intercâmbio tecnológico.

Novo pacote de ajuda: peças sobresselentes e continuidade do apoio militar polaco

Onyszkiewicz referiu também que Varsóvia está a ponderar o envio de um novo pacote de assistência militar que inclua peças sobresselentes para equipamentos já anteriormente fornecidos. Esta iniciativa somar-se-ia ao apoio que a Polónia tem prestado desde o início da invasão russa em 2022, período durante o qual já entregou à Ucrânia carros de combate, artilharia e munições.

Este tipo de apoio, além de reforçar a disponibilidade dos sistemas em uso, tem um efeito directo na capacidade de sustentação em campanha, uma vez que a eficácia do material entregue depende tanto da plataforma como da cadeia de manutenção e fornecimento de componentes.

Interesse de Zelensky: pilotos já treinados e ausência de pressão sobre Varsóvia

O interesse da Ucrânia nos MiG-29 polacos foi publicamente manifestado pelo Presidente Volodymyr Zelensky durante uma visita oficial a Varsóvia, em Dezembro. Nessa ocasião, o líder ucraniano salientou que os pilotos do seu país já estão treinados para operar este modelo de caça, o que permitiria a sua integração sem necessidade de um processo de reconversão.

Zelensky acrescentou ainda que a Ucrânia “nunca exerceu pressão sobre a Polónia” para acelerar a conclusão da transferência.

De um ponto de vista operacional, a familiaridade com o modelo pode reduzir tempos de adaptação e simplificar a incorporação inicial, embora a disponibilidade efectiva continue a depender de factores como manutenção, peças e configuração final dos aparelhos entregues.

Política regional e segurança europeia: proposta de restrições de vistos

Zalewski abordou igualmente temas de política regional e de segurança europeia. O responsável apoiou a decisão da Estónia de proibir a concessão de vistos turísticos a veteranos russos e indicou que pretende propor medidas semelhantes ao nível da União Europeia. Perante a pergunta sobre essa possibilidade, respondeu afirmativamente e afirmou que irá tratar do assunto com os colegas do Ministério dos Negócios Estrangeiros responsáveis por esta área.

NATO, Estados Unidos e arquitectura de segurança europeia

Por fim, o vice-ministro reafirmou a posição polaca quanto ao papel da NATO e à centralidade dos Estados Unidos na arquitectura de segurança europeia. Na sua leitura, não existe NATO sem os Estados Unidos, e rejeitou a necessidade de um plano alternativo de defesa para o continente. Também insistiu que a União Europeia não é concorrente da NATO e argumentou que, face ao comportamento observado dos norte-americanos, não faz sentido concentrar esforços num “plano B”.

Imagens meramente ilustrativas.

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